A arte de pegar num lápis, e numa folha de papel, precisando também apenas de uma borracha, conseguir criar, recriar, conseguir reproduzir vida num papel, seja de que forma for, seja um olhar, um sorriso, uma palpitação, conseguir abrir a minha mente a sociedade que me prende e me impede de me tornar tudo o que posso ser, fazendo-me sentir partido, fora de onde pertenço, sinto-me partido, há algo que não está certo, algo bate mal, sinto que me torno num boneco de plástico, um brinquedo que este mundo usa, do qual abusam, sou apenas um boneco, gostava de ser aquele do qual toda a gente se orgulha, gostava de ser aquele de quem ninguém goza, e também gostava de ser aquele que não sofre, mas continuarei, fechado na minha consciência, sentado num canto do meu cérebro, porque sei que um dia sei que tudo isto, dor, sofrimento, e este pedaço desconhecido que falta em mim, sei que tudo isso irá desaparecer, as pessoas são apenas demasiado cegas para ver, e eu estou demasiado cansado para apontar o que falta, mas quando tudo estive dito, feito e terminado, quando eu tiver encontrado forças para explicar tudo isto, não restará nada da minha energia mental, e vital, a minha mente já estará apagada, odeio sentir-me assim, os meus pensamentos parecem réplicas uns dos outros, como que repetições de um filme que eu não consigo ver, porque já sei o final, o final é a minha completa e total destruição, é o culminar de uma sucessão de loucuras, uma série de insanidades, e sinto falta do meu local de conforto, daquele lugar onde oiço vozes na minha cabeça, sinto falta da minha loucura. Sinto falta da maneira como os textos encaixavam perfeitamente na minha mente, da maneira como os meus dedos, escreviam quase como sozinhos, e da maneira como o lápis pensava por sim mesmo, desenhava exactamente o que eu queria, quase como por vontade própria, sinto saudades da minha insanidade!

1 comentário:
AfterEight*
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