Esta tarde encontrei no jardim, atrás da minha casa, aquele casaco que te esqueces-te aqui, da última vez que passamos a noite a dormir na tenda, e eu lavei-o, engomei-o, e dobrei-o para poder o poder vestir, e quando o visto, sinto que estás aqui ao meu lado, a me segurar, e é como se conseguisse sentir o teu perfume novamente, é como se nunca tivesses ido embora, mas a realidade é mais forte do que qualquer pensamento, ou miragem que eu consiga inventar nesta pequena cabeça sonhadora, e quando te foste, o sonho em que vivia, desfez-se tal como quando um vidro se parte, há sempre aquele momento em que ficamos em choque, acho que ainda estou a viver esse momento, consigo sentir o meu interior a partir-se tal como um espelho,

Esta noite vai ser a noite em que irei dizer tudo o que me passa pelo pensamento, será a noite em que irei beber café sem ti aqui, a noite em que irei jantar sem as tuas piadas parvas que me fazem sorrir, até a casa perde a cor quando não estás cá, o sofá vermelho vivo, que compramos, está cinzento, as paredes estão mortas, e os quadros parecem ganhar vida, e de repente parece que estou a reviver cada memória nossa, cada pensamento que tive quando me abraçavas enquanto víamos filmes no sofá até as tantas da madrugada, e enquanto comíamos Smarties, e bebíamos coca-cola, já não sinto nada a partir dentro de mim, nem sinto nada dentro de mim, preciso de fita cola, tenho de colar os pedaços do meu coração outra vez! 


Nota:Este texto e completamente fictício


 Bruno Gonçalves.

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